Programa educativo
Uma visita que conversa
A mediação é uma conversa. O arte-educador traz contexto, cuida do grupo e do tempo, mas não monopoliza a interpretação: a visita tem pausas de observação, perguntas abertas e momentos em que o grupo compara hipóteses.
A educação patrimonial atravessa todo o percurso. Patrimônio, aqui, não é algo parado no passado, mas uma relação viva de reconhecimento, transmissão e pertencimento. Por isso a visita valoriza as pessoas que fazem o Carnaval: velhas guardas, baianas, compositores, artesãos, ritmistas, passistas e tantos outros trabalhadores.
As Matrizes do Samba no Rio de Janeiro (partido-alto, samba de terreiro e samba-enredo) são reconhecidas pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil.
Sete movimentos
Informações suficientes para situar o visitante.
Desacelerar e examinar evidências: um croqui, uma fantasia, um documento, um instrumento, uma fotografia ou um gesto.
Sair da recepção e partir para a investigação.
Corpo, som, interatividade e criação.
Ligar a experiência a outros pontos da exposição, ao repertório da turma e a questões sociais mais amplas.
Transformar o conteúdo em produção.
Fazer a síntese e reconhecer a dimensão coletiva do conhecimento.
Objetivos
Promover experiências educativas, culturais, artísticas e patrimoniais que permitam aos diferentes públicos compreender, vivenciar e interpretar o Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro como patrimônio cultural vivo e expressão da cultura afro-brasileira.
- Apresentar as origens, transformações e permanências do Carnaval carioca e das escolas de samba.
- Reconhecer a centralidade das matrizes africanas e afro-brasileiras na formação do samba e da cultura carnavalesca.
- Valorizar mestres, comunidades, artistas, artesãos e trabalhadores como produtores e transmissores de conhecimento.
- Explorar as relações entre música, dança, artes visuais, literatura, moda, cenografia, engenharia, tecnologia e performance.
- Formar leitores críticos de objetos, imagens, sons, documentos, vídeos, depoimentos e ambientes imersivos.
- Estimular curiosidade, imaginação, criação autoral e colaboração entre os visitantes.
- Conectar patrimônio cultural, identidade, território, memória, trabalho e cidadania.
- Aproximar escolas e famílias de experiências culturais não formais, criando continuidade antes e depois da visita.
- Garantir estratégias de acessibilidade física, sensorial, comunicacional, cognitiva, digital, metodológica e atitudinal.
Quatro eixos
Abre-Alas e O Berço do Samba: cortejos, ranchos, blocos e cordões, Pequenas Áfricas, Tias Baianas, Praça XI, Estácio, as escolas pioneiras e a afirmação da cultura negra.
Dos artesãos à comissão de frente, a transformação de ideias em materiais, movimentos, sons e soluções técnicas. Quem concebe, quem executa e quanto tudo depende de cooperação.
A concentração, a passagem para a Avenida e a experiência imersiva: o momento em que processos dispersos se tornam um acontecimento coletivo.
Linha do tempo, votação, realidade virtual e as criações feitas ao longo do percurso colocam o visitante como protagonista da memória do Carnaval.
Acessibilidade e desenho universal
O Programa não cria uma visita separada para pessoas com deficiência. O conteúdo e a narrativa são comuns a todos. O que se adapta são o ritmo, a linguagem, os recursos, o percurso e as formas de interação.
No agendamento, a equipe pergunta quais recursos e apoios são desejados. Durante a visita, o educador se dirige diretamente à pessoa, pergunta antes de ajudar, respeita tecnologias assistivas e dá tempo para as respostas.
